22 abril 2014

"DÍVIDA E REENCARNAÇÃO"



Século XVIII. Ano 1769. Na varanda da Casa Grande, Maria Amélia arquitetava o terrível plano. Sim, Tereza Cristina não lhe roubaria o noivo. Afastá-la-ia de seu caminho, custasse o que custasse. Seus sonhos de moça apaixonada não seriam destruídos pela prima.

Maria Amélia pensava, pensava... o passeio a cavalo, marcado para o dia seguinte às margens do rio, deveria servir de algum modo para eliminá-la. Ali se encontravam as abelhas mortíferas que já haviam aniquilado duas rezes desprevenidas. Bastaria somente colocar a prima ao alcance delas.

Precisava ter uma ideia!... Surgiu-lhe, então, o plano macabro. Assustar-lhe-ia o cavalo, no local mais próximo às abelhas. Ela nada sabia a espeito da região perigosa. Dispararia a arma entre as patas do animal, que lançaria ao solo e fugiria em seguida. Depois, ela própria retirar-se-ia do local e... pronto, tudo terminaria.

No dia seguinte, quando ambas se encontravam na zona perigosa, Maria Amélia não hesitou. Disparou a arma. O cavalo de Tereza Cristina empinou-se e a jovem caiu com um grito de dor. O zumbido ameaçador já era audível, quando Maria Amélia esporeou o próprio animal e, afugentando a utra montaria, afastou-se rapidamente. Ao longe, ainda pudera ouvir os gritos de Tereza Cristina.

Mas tarde, o corpo da jovem foi encontrado, quase disforme. Tudo parecera acidente. O tiro não fora ouvido e todos acreditavam que Maria Amélia escapara por milagre e sua prima não tivera sorte.

Ano 1969. Na cidade mineira de Uberlândia, os jornais noticiam em manchetes:

ABELHAS VOLTAM A ATACAR MOÇA MORTA NUM PIC-NIC.

E, logo a seguir, a notícia esclarece que várias moças que se reuniam num pic-nic, às margens de um riacho, em fazenda próxima, foram atacadas por abelhas ferozes. Uma delas, a mais atingida, veio a falecer num dos hospitais da cidade, enquanto era atendida pelos médicos.

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Duzentos anos depois, a Lei cumpria-se e Maria Amélia, pela bênção da Reencarnação, resgatara sua dívida.

Do Livro "Histórias da Vida" de Antônio Baduy Filho.

Elaboração: Nilce Araújo.